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CASOS DE SUCESSO

AVALIAÇÃO HISTÓRICA DA ECOTOXICIDADE EM COMPLEXO SIDERURGICO

AVALIAÇÃO HISTÓRICA DA ECOTOXICIDADE NAS LAGOAS INTERNAS DE UM COMPLEXO SIDERÚRGICO NO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO

Os ensaios ecotoxicológicos são utilizados para avaliação da qualidade ambiental por auxiliarem na determinação de efeitos adversos causados por um ou uma mistura de substâncias que podem ser detectados pelas respostas fisiológicas dos organismos (CETESB, 2013). Nesses, os efeitos são desencadeados por qualquer situação de estresse que perturbe as condições fisiológicas, bioquímicas, metabólicas, entre outros, de um indivíduo ou, em outra escala, do ecossistema. O objetivo desse estudo foi avaliar a evolução da ecotoxicidade ao longo do monitoramento realizado entre os anos de 2013 e 2015 em sete lagoas de um Complexo Siderúrgico localizado no estado do Espírito Santo.

O estudo compreendeu amostragens em 6 campanhas entre 2013 e 2015, sendo duas em cada ano. Foram coletadas amostras de água superficial e sedimento, do qual foi retirada a água intersticial, em diferentes pontos das lagoas internas do Complexo, totalizando 11 pontos amostrais, os quais foram pré-estabelecidos com base no tamanho de cada lagoa.As coletas foram realizadas conforme norma ABNT NBR 15469 (2007) de preservação e preparo de amostras para ensaios ecotoxicológicos. As amostras de água superficial foram coletadas com o auxílio de garrafa Van Dorn a uma profundidade de 50 cm da superfície e nos mesmos pontos, o sedimento foi coletado com amostrador busca-fundo tipo Petersen. O sedimento foi acondicionado em caixa de aço inox, homogeneizado e após repouso de 5 minutos foi extraída a amostra de água intersticial com o auxílio de uma seringa estéril. As amostras foram armazenadas em frascos âmbar e acondicionadas em caixas térmicas com gelo até a chegada ao laboratório da APLYSIA. Foram realizados ensaios agudos e crônicos utilizando os organismos das espécies Daphnia similis e Ceriodaphnia dubia. Para Daphnia similis os ensaios foram realizados conforme a ABNT-NBR 12713 (2009), enquanto para Ceriodaphnia dubia foram utilizados os métodos descritos na ABNT-NBR 13373 (2010).

Nas seis campanhas realizadas entre 2013 e 2015, das 264 amostras analisadas, 39 apresentaram ecotoxicidade quando foram submetidas a avaliações agudas (48 horas) e 64 amostras quando foram submetidas a avaliações crônicas (7 dias). Sabe-se que o ensaio agudo avalia uma resposta rápida dos organismos a um estímulo que se manifesta, em geral, num intervalo de 0 a 96 horas. Já os ensaios crônicos permitem avaliar a ação dos poluentes, cujo efeito traduz-se numa resposta contínua por longo tempo, geralmente por período de até 1/10 do ciclo vital (RAND e PETROCELI, 1985). Analisando a série histórica, observou-se uma melhora em relação aos resultados ecotoxicológicos com Daphnia similis, com redução do número de amostras que apresentaram ecotoxicidade aguda entre 2013 e 2015tanto para água superficial quanto para água intersticial. No primeiro ciclo de monitoramento, 3/22 (14%) amostras de água superficial apresentaram efeitos agudos, enquanto em 2014, foram 2/22 (9%) amostras e em 2015, 1/22 (5%) amostras. Para água intersticial, registrou-se 15/22 (68%) amostras em 2013, 11/22 (50%) em 2014 e 7/22 (32%) em 2015. Quanto à Ceriodaphnia dubia, houve redução do número de amostras com ecotoxicidade crônica para água superficial, indicando uma melhora ao longodo monitoramento, no entanto, para a matriz água intersticial, registrou-se diminuição de 2013 para 2014 e aumento da ocorrência de efeitos crônicos no último ano de monitoramento. Nas campanhas realizadas em 2013, os resultados para Ceriodaphnia dubia evidenciaram a ocorrência de efeitos crônicos em 13/22 (59%) amostras de água superficial, enquanto em 2014, registrou-se toxicidade em 6/22 (27%) e em 2015, em 4/22 (18%) amostras. Para água intersticial, 20/22 (91%) amostras apresentaram efeitos em 2013, 6/22 (27%) em 2014 e 15/22 (68%) em 2015. Alguns pontos apresentaram ecotoxicidade somente para uma das espécies, outros, apresentaram ecotoxicidade a ambas as espécies, configurando uma resposta tanto aguda quanto crônica, principalmente na matriz água intersticial. Também foi possível avaliar que, no geral, as amostras de água intersticial apresentaram ecotoxicidade superior às amostras coletadas na superfície. As frações líquidas do sedimento são muito utilizadas em avaliações ambientais pois é possível avaliar a ecotoxicidade da amostra líquida que ocupa os espaços entre as partículas sólidas do sedimento. Os compostos tóxicos, quando presentes no ambiente aquático, podem se depositar no sedimento ou se associar a partículas deste podendo sofrer transformações, serem absorvidos por organismos bentônicos ou ainda serem liberados para a coluna d?água (ARAÚJO et al., 2006; MELO e ABESSA, 2002).

Observou-se melhora na ecotoxicidade aguda ao longo dos anos (2013 a 2015), com redução do número de amostras que apresentaram ecotoxicidade na água superficial e intersticial. Quanto à ecotoxicidade crônica,verificou-se melhora para água superficial, enquanto para água intersticial, houve redução do número de amostras com ecotoxicidade de 2013 para 2014, com leve piora nas campanhas de 2015.De modo geral,a ecotoxicidade das amostras foi maior nos ensaios crônicos do que nos ensaios agudos.Além disso, observou-se que as amostras de água intersticial apresentaram maior potencial tóxico quando comparadas às amostras coletadas na superfície das lagoas.

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