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CASOS DE SUCESSO

VARIAÇÃO ESPACIAL DA MACROFAUNA BENTÔNICA DO ESTUÁRIO DO RIO BENEVENTE, ANCHIETA-ES.

Gean Zanetti3; Emanuely Ezidio da Silva1; Eliezer Alves Evangelista Junior1; Felipe Souza Cordeiro1; Gabriel Mauri1; Mônica Pereira de Jesus1; Gisele Oliveira Tonácio1; Karla Gonçalves da Costa1; Priscylla Pavione2; Clayton Perônico3, Tatiana Furley2.

1 - Laboratório de Ecologia Bentônica, Universidade Federal do Espírito Santo, Departamento de Ciências Agrárias e Biológicas - DCAB/UFES/CEUNES, Rodovia BR 101 Norte, Km. 60, Bairro Litorâneo, CEP 29932-540, São Mateus, ES.

2 - INSTITUTO APLYSIA, Rua Júlia Lacourt Penna, 335, Jardim Camburi, Vitória, Espírito Santo, CEP: 29090-210

3 - Instituto Federal do Espírito Santo- IFES, Av. Rio Branco, 50 - Santa Lúcia - Vitória, CEP 29056-255


Introdução. O ambiente estuarino possui uma grande importância ecológica na retenção de nutrientes, a partir de um padrão de circulação da água que estabelece alta produtividade, facilitando o desenvolvimento de uma diversidade de fauna e de flora. A estrutura da comunidade bentônica nesses ambientes é controlada por processos bióticos (interações adultos-juvenis, predação, competição, etc), abióticos (salinidade, temperatura, hidrodinâmica, características do substrato, etc) e efeitos antrópicos (contaminação por compostos tóxicos, enriquecimento orgânico, etc). A composição e abundância dos organismos em ambientes estuarinos e áreas adjacentes podem variar tanto em escala espacial quanto temporal. No entanto, o objetivo do presente trabalho foi caracterizar a distribuição espacial da comunidade bentônica do estuário do Rio Benevente, Anchieta, sul do Espírito Santo (S 20°48,34 O 40°39,41), como parte de um estudo maior para analise de qualidade de águas estuarinas denominado "Projeto Peixe-Guia".


Resultados. Foram encontrados 32.747 organismos, distribuídos em 12 grupos taxonômicos. O TanaidaceaMonokalliapseudesschubartiMañé-Garzón 1949 foi o táxon mais abundante, com 98,4% dos indivíduos coletados e os demais (Amphipoda, Isopoda, Decapoda, Bivalve, Pisces, Chironomidae, Odonata, Spionidae, Capitellidae, Nereididae e Lumbrineridae) contribuíram juntos com 1,57%. A riqueza de espécies e diversidade de Shannon-Winner apresentaram maiores valores significativos na Montante, se diferenciando apenas da Foz (p<0,05). Os táxons Chironomidae, Spionidae, Capitellidae, Nereididae e Lumbrineridae foram os táxons exclusivos da Montante. Já a abundância de organismos não apresentou diferença significativa entre os pontos amostrados. As analises multivariadas MDS e ANOSIM não registraram diferenças significativas para a estrutura da fauna (composição e abundância) entre os pontos amostrados.


Discussão. O tanaidáceo M.schubarti, que neste estudo foi o mais abundante, pode ocorrer em altas densidades em algumas populações, podendo exceder 145.000 ind./m2. Estes são típicos de sedimentos estuarinos brasileiros e planícies da faixa entremarés. Os tanaidáceos são animais construtores de tubos, principalmente na parte superficial do sedimento, formando densos agrupamentos que podem levar á um aumento na heterogeneidade espacial. Essa alta densidade de tanaidáceos também foi registrada em um estudo de 2006, no infralitoral marinho próximo a foz do Benevente. A homogeneidade na distribuição de M.schubartiao longo do estuário sugere que este seja tolerante as variáveis analisadas. Uma das causas mais comuns de impacto ambiental em todo o mundo é a eutrofização de sistemas estuarinos causados pelo incremento de nitrogênio e fósforo de origem continental. A comunidade da macrofauna geralmente responde as elevadas concentrações de nutrientes e ao aumento da produção de matéria orgânica, entretanto, após excessivo lançamento de nutrientes no sistema, a sedimentação da matéria orgânica ultrapassa a taxa de degradação causando a redução do oxigênio na camada superficial do sedimento e alteração da composição da comunidade bentônica, o que possivelmente explica a redução da riqueza e diversidade no ponto Foz, onde houve os maiores valores de carbono orgânico, nitrogênio, fósforo e surfactantes. O menor valor da salinidade registrado no ponto Montante pode ter proporcionado o aparecimento do táxon Chironomidae, uma vez que esses organismos possuem preferência por ambientes pouco salinos.


Conclusão.O estuário do Rio Benevente tem demonstrado ser um ambiente propicio para altas densidades do tanaidaceo M.schubarti. No entanto, as variáveis físico-quimicas como carbono orgânico total, nitrogênio total, fósforo e surfactantes variam ao longo do estuário, com maiores valores registrado próximo a foz e diminuindo em direção a montante, o que possivelmente tem relação com as maiores riqueza e diversidade registrado na montante. Dessa forma, as variáveis ambientais do estuário do Rio Benevente parecem influenciar diretamente na estrutura da macrofauna local.