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CASOS DE SUCESSO

AVALIAÇÃO ECOTOXICOLÓGICA DE LAGOAS INTERNAS DE UM COMPLEXO SIDERÚRGICO

Ensaios ecotoxicológicos com frações líquida do sedimento (água intersticial e elutriato) têm sido bastante utilizados em avaliações ambientais. Os ensaios com água intersticial diferem dos ensaios com sedimento total pois avaliam a ecotoxicidade da amostra líquida que ocupa os espaços entre as partículas sólidas do sedimento. O presente estudo teve como objetivo avaliar a ecotoxicidade no Complexo Lacustre formado por sete lagoas naturais de diferentes dimensões nos domínios territoriais de um Complexo Siderúrgico localizado no estado do Espírito Santo.

A região de estudo recebe aportes externos de efluentes domésticos, e ainda não sofreu enquadramento quanto ao seu uso, de acordo com a Resolução CONAMA 357/2005. As amostras de água superficial e sedimento, do qual foi retirada a água intersticial, foram coletadas em 11 Pontos. O número de pontos de avaliação foi pré-estabelecido com base no tamanho de cada lagoa. O período de estudo compreendeu as estações de outono e inverno/2013. As coletas foram realizadas conforme os procedimentos previstos na norma ABNT NBR 15469 (2007). As amostras de água superficial foram coletadas com garrafa Van Dorn a uma profundidade de 50 cm da superfície e nos mesmos pontos as amostras de sedimento, com amostrador busca-fundo tipo Petersen. O material dragado de cada ponto foi acondicionado momentaneamente em caixa de aço inox, homogeneizado e após repouso por cerca de 5 minutos foi retirada a amostra de água intersticial com o auxílio de uma seringa estéril. Para este estudo foram utilizados os organismos Daphnia similis Ceriodaphia dubia, e os ensaios foram realizados conforme as normas ABNT-NBR 12713(2009) e ABNT-NBR 13373(2010), respectivamente.

Os resultados para D. similis evidenciaram a ocorrência de efeitos agudos em 2/11 (18%) amostras de água superficial coletadas durante o outono e 1/11 (9%) durante a campanha de inverno. Já nas amostras de água intersticial, 7/11 (64%) apresentaram efeitos no outono e 8/11 (73%) no inverno. Para C.dubia, as amostras de água superficial apresentaram efeitos crônicos em apenas em 3/11 (28%) pontos no outono e 10/11 (91%) no inverno, enquanto na matriz água intersticial (outono e inverno) apenas 1/11 (9%) dos pontos não apresentou efeito tóxico. A ecotoxicidade das amostras de água intersticial (sedimento) foram superiores às amostras coletadas nas superfícies das lagoas. Geralmente, os sedimentos são depósitos para a maioria dos poluentes persistentes introduzidos no ambiente aquático (MELO e ABESSA, 2002), e portanto podem se transformar em matrizes mais enriquecidas quando comparadas à coluna de água (FURLEY, 2006).

Portanto, na avaliação entre as amostras observou-se maior ecotoxicidade quando estas foram submetidas a avaliações crônicas com C. dubia do que nas avaliações agudas com D. similis. Também foi possível avaliar que as amostras de água intersticial, extraídas do sedimento, apresentaram ecotoxicidade superior às amostras de água da superfície das lagoas.